Manoel Pereira de Azevedo era natural da freguesia de São Miguel do Urró, Vila de Arouca, bispado de Lamego, filho de Lucas Pereira e de Maria Brandoa. A genealogista Maria Efigênia da Paixão localizou sua ascendência, tendo ele se casado em Aveiro, a 7 de maio de 1704, com Jerônima do Pinho, filha de Estevão João e de Antônia Tavares. Jerônima do Pinho foi batizada
quarta-feira, outubro 15, 2008
Preciosidade colonial em São Gonçalo do Brandão
Manoel Pereira de Azevedo era natural da freguesia de São Miguel do Urró, Vila de Arouca, bispado de Lamego, filho de Lucas Pereira e de Maria Brandoa. A genealogista Maria Efigênia da Paixão localizou sua ascendência, tendo ele se casado em Aveiro, a 7 de maio de 1704, com Jerônima do Pinho, filha de Estevão João e de Antônia Tavares. Jerônima do Pinho foi batizada
quinta-feira, outubro 09, 2008
Pastor angelicus
No dia 9 de outubro, celebrou-se o cinqüentenário da morte do Papa Pio XII, o Pastor Angelicus. Um dos grandes pontífices da História da Igreja, marcou significativamente o século XX pelo momento histórico em que viveu. O início de seu pontificado coincidiu amargamente com o eclodir da Segunda Grande Guerra Mundial. Aliás, a prudência com que o Santo Padre agiu durante esse período de beligerância entre o Eixo e os Países Aliados custou-lhe a infâmia de ter sido conivente com o Terceiro Reich. Mesmo com mais aprofundados estudos, muitos ainda sustentam essa calúnia, com o vil intento de macular a honra do papa Pacelli e comprometer a Santa Igreja com as atrocidades cometidas, principalmente, pelo Nazismo. Se não bastasse esse triste período (1939-1945), seguiram-se os anos da Guerra Fria, em que o Bispo de Roma também teve que portar-se com muita diplomacia, até mesmo por causa das vítimas católicas do regime comunista no leste europeu.
Mas foi durante o pontificado desse grande Papa que o mundo também passava por grandes transformações sociais e avanços tecnológicos. E para cada uma dessas situações, muitas delas inusitadas, teve Pio XII uma palavra especial, não superficial, ao contrário profunda de conhecimento, a ponto de advertir sobre possíveis danos no plano social como em questões éticas e morais. Ciência, literatura, medicina, cinema, esporte, política, filosofia, além de temas específicos relativos à fé cristã, por todos esses campos discursou o Santo Padre com muita sabedoria e unção.
Durante a Santa Missa celebrada em sufrágio de sua alma, no dia 9, o papa Bento XVI destacou a santidade de Eugênio Pacelli ao abandonar-se “nas mãos misericordiosas de Deus”, ciente de que “só Cristo é a verdadeira esperança do homem” e “apenas confinado nele, o coração humano pode abrir-se ao amor que vence o ódio”. E enquanto se celebra na Cidade Eterna o Sínodo dos Bispos, em que tem por tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, Bento XVI lembrou-se da encíclica “Divino Afflante Spiritu”, de 1943, em que seu antecessor “estabelecia as normas doutrinais para o estudo da Sagrada Escritura, manifestando sua importância e seu papel na vida cristã”.
Bento XVI admitiu que, “infelizmente, o debate histórico sobre a figura do Servo de Deus Pio XII, não sempre sereno, evitou que se colocassem à luz todos os aspectos de seu polivalente pontificado”. Deus louvado, novos estudos cientificamente comprometidos vão como que reescrevendo a história desse grande homem do século XX, Pio XII, o lídimo Papa da Paz.
quarta-feira, outubro 08, 2008
Et erit in pace memoria ejus

Ao lídimo Papa da Paz, nossa homenagem e o louvor a Deus Nosso Senhor pela vida que Lhe foi inteiramente dedicada e à Santa Igreja.
Enquanto não podemos entoar o solene Te Deum laudamus,
rezemos o piedoso requiem in aeternam dona eis Domine,
pelo Pastor Angelicus.
Requiescat in pace.
+ 09/10/1958
quinta-feira, setembro 25, 2008
Não matarás
A legislação divina, em seu quinto artigo, veda ao homem ofender a existência em geral, seja da própria vida ou a de outrem, neste caso a dupla vida, do corpo e da alma: "Não matarás" (Dt 5,17). Mas um outro mandamento vem de encontro a esse, o oitavo: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" (Dt 5,20). O primeiro sentido, claro, é o de não proceder a depoimento falso, mentiroso. Todavia, numa interpretação larga do artigo analisa-se a mentira, a difamação e a injúria. A que fere deveras mortalmente talvez seja a difamação, prejudicando, injustamente, a reputação do próximo, tendo como arma a língua; como projétil o verbo.
Os meios que o difamador lança mão para alcançar seus fins são a calúnia, a maledicência ou murmuração e a delação, em benefício de interesses mesquinhos ou pela simples satisfação de ferir a fama alheia. - Quantas pessoas são, por isso, prejudicadas, quantas honras maculadas, quantos corpos enfermos e quantas almas feridas pelo veneno desses "diabolos"! Por mais que insistam em justificar seus atos, jamais deixarão de ser assassinos morais, pois as conseqüências de suas atitudes são sempre más.
Na hierarquia dos difamadores há os insignificantes, a quem pouco crédito se dá, pois não gozam de uma reputação capaz de endossar suas atitudes. Os conspícuos, morigerados e reservados, por sua vez, são perigosos, valendo-se de um falso prestígio para que suas palavras causem impressão. Porém, os piores de todos são os que denominaríamos "fariseus hodiernos": pérfidos cristãos, mostrando-se tementes a Deus e sinceros, enquanto, na verdade, não passam de celerados, promotores da discórdia, assassinos de almas; pena esquecerem-se da admoestação evangélica: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus" (Mt 7,21). Quanto a eles, julgarem-se sinceros é um desrespeito aos probos e cultos, pois a sinceridade só vale se amparada na caridade, e esta virtude a desconhece essa corja de difamadores.
O homem deve, sim, falar sempre a verdade, mas não todas as verdades - isto é um princípio moral, o que não quer dizer que deva mentir. A sinceridade manda pensar tudo o que se irá dizer, e não dizer tudo o que se pensa. A discrição manda calar o que não é oportuno, manda ponderar as palavras e silenciar os segredos. A sinceridade e discrição são duas virtudes preciosíssimas por igual. Se fossem abstraídas pelos difamadores de plantão, semeadores da discórdia, talvez a sociedade seria mais justa e fraterna.
sexta-feira, setembro 19, 2008
A origem das espécies
Questões relativas à polêmica teoria da evolução de Darwin tem sido, sempre, evocadas pelo Santo Padre. Na celebração da Santa Missa que inaugurou o seu pontificado, em abril de 2005, o Bispo de Roma já alertava que não sermos o produto casual e sem sentido da evolução, mas “fruto de um pensamento de Deus”, afirmou. E há pouco, durante sua visita à França, em exortação aos intelectuais da Filha Dileta da Igreja, o Papa indicou que “na origem de todas as coisas não deve ser colocada a irracionalidade, mas a razão criativa; não o acaso cego, mas a liberdade”.
Aporias existentes, tanto pela complexidade da teoria, quanto pelas divergências ideológicas e científicas, é que sugerem essa aproximação dos contraditores – daí serem convidados católicos e não católicos. O discernimento da racionalidade polimórfica que, desviada do reto sentido cristão, perde-se na sujeição a inflexões absurdas, decorrentes de um desordenamento intelectual ou até mesmo da soberba de querer ser como deuses, autores da criação de novos conceitos, independentes de algum comprometimento teológico, principalmente, senão presos à ambição somente de seu ego, muito mais do que um ateísmo, um antiteísmo.
Uma interpretação exegética da Bíblia um tanto fabulosa, ou decorrente das limitações de antanho, em todos os sentidos, é que provavelmente tenha possibilitado o desenvolvimento de teorias que se precipitaram em absurdos. Sobre isso, basta atentar para o trabalho das comissões bíblicas, desde os tempos de São Pio X, até hoje, e se apreenderá uma evolução bem mais clara, sadia, definida da caminhada do homem, desde a sua criação, tendo Deus com princípio, motivo e fim último. Compreender-se-á, então, pela fé, que a Criação “é o ato pelo qual Deus, do nada, deu e mantém a existência de tudo quanto existe”.
sexta-feira, setembro 12, 2008
Emancipando-se
No próximo dia 19 de setembro, Conselheiro Lafaiete comemora seus 218 anos de emancipação política. Em meio às festas que marcam a efeméride que sugere a conquistada de liberdade e autonomia administrativa, cabe uma reflexão sobre o destino do antigo Arraial dos Carijós. Essa emancipação não se restringe àquele instante histórico, cristalizado no nostálgico 1790, em que se concretizou o sonho do povo de Carijós, quando se erigiu a Real Vila de Queluz. Todo o aparato formal, a presença do governador general Visconde de Barbacena e da nobreza, assistidos pelo povo na instalação do Senado da Câmara, foi como que o descortinar do porvir do que viria ser a heróica Cidade de Queluz, a pujante Conselheiro Lafaiete.
Mas esse olhar que nos lançaram nossos antepassados depositou uma grave responsabilidade sobre sua posteridade. Aquela emancipação da Vila de São José, distante tantas léguas, cujos governantes se esqueciam das necessidades de Carijós, enxergando-o apenas como um arraial distante, sem possibilidades de progresso, em decorrência de suas pobres fontes de subsistência, “banhado por um rio de águas sujas” – como alegaram os membros do Senado daquela Vila, aquela emancipação, mais do que ser comemorada, deve ser reafirmada a cada dia por todos os lafaietenses. Essa emancipação sugere, além do sentido de liberdade, a interpretação de um comprometimento com o desenvolvimento; se não fosse essa perspectiva, Queluz não se teria elevado.
O momento torna-se, por isso, muito oportuno. Enquanto candidatos a prefeito e a vereadores peregrinam pela cidade em busca de votos, devem os lafaietenses observar bem o que eles propõem para assegurar a emancipação do município. A emancipação política, elegendo cidadãos e cidadãs probos, capazes de honrar o mandato que lhes for confiado; emancipação da educação e da cultura, discernindo bem o potencial dos valores locais e mobilizando-os; emancipação da saúde, garantindo atendimento eficiente e a contento dos munícipes; emancipação comercial e industrial, proporcionando estrutura adequada para essa que é a principal fonte de renda do município; emancipação dos direitos dos cidadãos, assegurando-lhes segurança e promovendo a ordem pública. Assim, os lafaietenses, muito mais do que comemorar uma data histórica, estarão festejando sua constante emancipação.
Feriados
Esse costume prevalece até hoje. O número dos dias santificados, no Brasil, foram reduzidos, tanto pela impossibilidade de tantos feriados ao longo do ano, quanto, até mesmo, para não criar polêmicas numa sociedade onde se admite a liberdade de culto religioso. Alguns, no entanto, foram mantidos, pela sua tradição e pela importância de seu reconhecimento. Alguns feriados de origem religiosa que ainda se mantêm são o de 1º de janeiro, Sexta-feira Santa, Corpus Christi, Natal e comemoração do santo padroeiro do município. Pode-se considerá-los como uma deferência dos legisladores para com os fiéis católicos, visto alguns países do Velho Mundo já não mais concedê-los todos, não obstante a maioria das pessoas não pararem o seu trabalho nesse dia para comemorar a data, seja ela cívica ou religiosa.
Em Conselheiro Lafaiete, dois feriados de origem católica constam do calendário municipal: o da solenidade do Sagrado Coração de Jesus e o de Nossa Senhora da Conceição. Este último é muito antigo, remonta aos tempos coloniais. O rei Dom João IV decretou, em 1648, consagrou o reino de Portugal a Nossa Senhora da Conceição, proclamando – antes mesmo da Igreja Católica - o dogma sacrossanto: “ex omni parte inculpata”, nos dizeres de São João Crisóstomo. Dom João V ordenou que se celebrasse a festa da Imaculada Conceição, a 8 de dezembro, “com grande pompa e respeito, comparecendo as vereanças e capitães-generais, bem como todas as Irmandades e Confrarias”. Em Lafaiete, portanto, desde os tempos de Carijós, essa solenidade revestiu-se de grande piedade e de manifestações de alegria, não apenas pela determinação régia, mas principalmente por ter a Virgem da Conceição como sua padroeira. O beato João XXIII, pelo Breve Apostólico “Instante”, de 2 de junho de 1961, declarou a Virgem da Conceição celeste e principal patrona da cidade e do município de Conselheiro Lafaiete e pelo Breve Apostólico “Quidquid ad pietatem”, de 17 de agosto de 1961, concedeu a imposição de uma coroa de ouro na sua imagem, o que ocorreu em 15 de agosto de 1963.
O motivo de abordar este tema hoje deve-se a uma infeliz proposta que teria sido feita a um dos candidatos a prefeito, durante um debate na última semana. Indagaram-no sobre a possibilidade de se extinguir o feriado de 8 de dezembro, para que não haja interrupção do comércio num momento tão promissor de vendas, com vistas ao Natal. A ingênua proposição tomara tenha sido tão simplesmente impensada. Caso contrário, seria muito triste constatar essa falta de respeito à liberdade de culto, uma ignorância das tradições históricas e até um maleável senso de desacato aos poderes constituídos. Felizmente, o inquirido descartou a sugestão prontamente.
sexta-feira, setembro 05, 2008
Religião nas escolas
A laicização do Estado e de toda a organização governamental é perniciosa à ordem social. Esse processo que vem se arrastando há mais de dois séculos, suscitado no Velho Mundo, conquistou simpatizantes no Brasil na segunda metade do século XIX. Disseminando-se por entre os meios intelectual e político, esse sistema ateu granjeia adeptos, impedindo o aprofundamento da fé, desorientando a conduta ética e moral. O ensino foi o principal alvo, privando as crianças do que o Papa Pio XII indicou ser a “pedagogia da fé” (encíclica “Mystici Corporis Christi”, 1943). No momento oportuno em que as condições da natureza humana são mais acessíveis para a assimilação da fé, por meio da participação da inteligência e da vontade de permitir a ação desse dom, tolhem os dotes naturais da necessidade imanente da busca de Deus.
A pedagogia moderna da educação não admite a observância de uma disciplina, seja ela física ou intelectual, com o pretexto de ser traumatizante para as crianças. Não vêem o mal que pode causar a flexibilização do ensino. Observa o biólogo Christian de Duve, Prêmio Nobel em 1974, que “não se pode aprender a pensar sem certo esforço, sem alguma medida coercitiva, imposta inicialmente pelo exterior, até que se tenha aprendido a ter a iniciativa do bem por si mesmo. (...) A meu ver, é daí que vem o irracional, essa fraqueza na utilização crítica da razão e a ausência de rigor no pensamento” (SALOMON, Michel, “L’Avenir de
Para se chegar a Deus, além da graça, necessita-se da compreensão racional de sua existência. Isso somente o ensino religioso nas escolas poderá proporcionar de forma explícita e sistemática, como adverte o papa Paulo VI num de seus Documentos: “O ensino religioso, embora não se esgote nos cursos de religião integrados nos programas escolares, deve ser ministrado na escola de modo explícito e sistemático, a fim de que não se venha a criar na mente dos alunos um desequilíbrio entre a cultura geral e a cultura religiosa” (“Escola Apostólica”, 19/3/1977, cap. IV).
Interessantes essas duas condições indispensáveis que o Papa Montini aponta. O ensino explícito, ou seja, o ensino da religião com o intuito de se formar cristãos convictos, não uma reflexão das experiências de vida, ou sobre temas atuais e polêmicas questões sociais, muito menos introspecções filosóficas ou rudimentos morais e éticos. O ensino sistemático é para assegurar o seu desenvolvimento, uma seqüência pelos anos escolares que possibilitará o aprofundamento da compreensão sobre a existência de Deus e de Sua revelação, enquanto se vai avançando pela via espiritual.
“A escola sem Deus é um caminhar como o de alguém que perdeu o endereço da casa paterna. Será uma escola que não sabe responder a uma pergunta fundamental sobre si mesma: para que educar?”, assegura o pedagogo cristão Dom Lourenço de Almeida Prado – OSB. Esse é o vazio a que chega a pedagogia moderna, cujos acertos ainda são insuficientes para reparar o dano que o ateísmo sugerido tem causado às crianças e aos jovens.
sexta-feira, agosto 29, 2008
Em prol da vida
Admitiram, primeiramente, o aborto em determinados casos; aliás, sempre fizeram “vistas grossas” – como se costuma dizer – sobre uma questão que, na iminência de causar qualquer transtorno pessoal, familiar ou social, é mais fácil admiti-la adotando o recurso que a barbárie e a impiedade sempre souberam utilizar: a morte. Depois, as autoridades responsáveis por assegurar o direito de todos, inclusive de zelar pelos princípios da conduta humana e social, não conseguiram assimilar os danos éticos que a permissão às pesquisas de células embrionárias pode causar. Agora, enquanto escrevo estas linhas, o Superior Tribunal Federal em Brasília discute a tese que permite a interrupção da gravidez em casos de fetos anencéfalos.
De acordo com o procurador Paulo Silveira Leão Júnior e com o médico Rodolfo Acatauassú Nunes, “um ser vivo com grave deficiência cerebral, mas com pequena capacidade de sobrevida e possivelmente um nível primitivo de consciência”, tanto que, há pouco tempo, assistimos a um caso de uma criança anencéfala que morreu com mais de um ano de idade. Leão Júnior atenta para “os direitos constitucionais da inviolabilidade da vida, da dignidade e do bem-estar”.
A partir do momento em que não se respeita mais a vida, principalmente de seres indefesos, libera-se o homem para submeter-se a todo e qualquer tipo de atrocidade, sem nenhum limite moral ou ético. Abrir-se-ão as portas para que se liberem também a contracepção, a esterilização, eutanásia, a pena de morte, o uso de drogas, enfim, para que o homem não se sujeite à ordem, ao respeito, a Deus. Lembrando ainda João Paulo II: “...uma grave derrocada moral da sociedade: opções, outrora consideradas criminosas e rejeitadas pelo senso moral comum, tornam-se socialmente respeitáveis” (Evangelium Vitæ, nº 5); e, mais além: “tratam-se de ameaças programadas de maneira científica e sistemática” (nº 17).
Oxalá as pessoas atentem para a importância desse tema que tem sido discutido de forma tão restrita à comunidade científica e aos poderes da República, enquanto a população, em grande parte, fica cá embaixo sem entender direito a sua gravidade, distraída com as leviandades do mundo, a violência crescente, escândalos e disputas políticas. No estado democrático, todos devem ter amplo conhecimento de tudo o que seja de interesse comum, antes de se tomar qualquer decisão. Ainda lembrando o saudoso Pontífice, “a vida está jurada de morte”. Por isso, todos os cristãos são chamados a alistar-se nesta cruzada em prol da vida.
quinta-feira, agosto 28, 2008
O dom da vida
Celebrar a vida é celebrar a graça de Deus. Isso porque é Ele quem no-la concede. A nossa vida brota da fonte eterna e inesgotável de vida – Deus – à “cuja imagem e semelhança fomos criados” (Gn 1,26-27).
Se fomos criados à sua imagem e semelhança, devemos, portanto, ser espelhos onde se refletem a Sua glória e beleza; daí a tendência natural de sempre buscar o que há de bom, de belo e verdadeiro, por inspiração divina.
A presença neste mundo nos compromete com o projeto de salvação. Somos responsáveis por nós e por aqueles que conosco convivem. Somos cooperadores no plano de construção de um mundo mais fraterno, vislumbrando a plenitude da vida, a partir do momento em que desejamos ardentemente nada mais, senão buscar fazer a vontade do Pai. Desta forma, experimentamos o anelo que Santo Agostinho expressou nesta oração: “Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto até que não descanse em Vós”.
E quando nos reunimos com pessoas queridas para celebrarmos a vida, outro cântico não nos inspira, somente o de louvor a Deus pela graça da existência.
Mais inspiração temos, ainda, ao contemplarmos o Mistério de Amor, em que um Deus se fez homem, morreu por nós e permanece conosco até o fim dos tempos, na Sagrada Eucaristia.
É o amor... É a entrega... É a partilha...
Celebrar a vida, portanto, é celebrar a graça de também podermos amar a Deus e ao próximo, à semelhança daquEle que nos criou. É nos entregarmos à missão de evangelizadores, anunciando a misericórdia de Deus. É partilharmos nossa vivência de fé e de amor, na família e na comunidade, sendo “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13).
“Eu sou a vida” (Jo 14,6), disse Jesus a São Tomé. Esta afirmação ecoa até nossos dias, para não titubearmos ao querer buscá-lo sempre. “Eu vim para que todos tenham vida, e vida em plenitude” (Jo 10,10), também nos diz o Divino Amigo, assegurando-nos de que nenhum amor procede dEle, daí desejarmos amar nEle e por Ele. “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11,25), ainda é o Cristo amado entregando-se como remédio e salvação; em Sua graça renascemos, somos revestidos pelo homem novo “criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4,24).
No Santo Tabernáculo está Jesus, nosso Mestre, a fonte onde devemos haurir a confiança, a determinação e a disposição para continuar a caminhada. Que nossa existência seja um constante hino de ação de graças ao Criador pelo dom da vida.
segunda-feira, agosto 25, 2008
À memória do Doutor Mário Pereira
Ao referir-se à casa demolida, faz-se necessário reconhecer o mérito de seu antigo proprietário que, muito mais que um político, foi um benfeitor para a cidade. De temperamento reservado, de franqueza, às vezes, mal compreendida, como afirmam alguns contemporâneos seu, contudo, um homem capaz de se dispor a tudo, fosse no exercício da medicina, fosse em prol do bem-estar da população. De família tradicionalmente política na região, honrou os cargos que exerceu, sempre com probidade e atento ao desenvolvimento do município.
Mário Rodrigues Pereira nasceu na Fazenda da Cachoeira, então localidade de Carandaí, a 19 de junho de 1898, filho do major Francisco Rodrigues Pereira e de Maria Alves Pereira. Seu pai, conhecido pela alcunha de Chico Barão, era filho do legendário Barão de Santa Cecília (coronel Francisco Rodrigues Pereira de Queiroz) e de sua prima Luciana Pereira de Queiroz. Apesar da semelhança do sobrenome Rodrigues Pereira, com o do patrono do município, o Barão e o Conselheiro Lafayette não tinham nenhum parentesco, como comprovam pesquisas genealógicas de ambos.
Chico Barão, nascido em 26 de março de 1870, formou-se em Farmácia na tradicional Escola de Ouro Preto, estabelecendo-se seguida em Queluz com a Pharmácia Pereira, tornando-se conhecido como o “médico da pobreza”, tal a atenção com que cuidava da população carente. Exerceu, ainda, o cargo de Juiz de Paz na comarca. Embora não tenha participado ativamente da política local, contam que, por ocasião da deposição de Washington Luiz, em 1930, Chico Barão foi levado preso pelo governo revolucionário que se impôs, como represália a seu filho, o advogado Francisco Rodrigues Pereira Júnior que se elegera deputado federal nas eleições daquele ano. Quando a notícia da prisão do farmacêutico espalhou-se pela cidade, um grupo de senhoras teria se colocado à frente da Cadeia Pública “exigindo” sua soltura. Ao pequeno grupo, outras pessoas foram se juntando e à pressão da massa não restou outra alternativa senão soltá-lo. Na ocasião, outros políticos locais também foram presos. Sua esposa, Maria Alves Pereira, conhecida como Dona Marucas, dizem ter sido uma senhora de lhano trato, muito caridosa, que zelou pela Igreja do Carmo por muitos anos.
Os primeiros estudos, Mário Pereira os fez em Queluz, com o professor Severino Ferreira da Silva, conhecido por Seu Virico, ao lado da Igreja do Carmo, e com a professora Honorina Baêta. Na capital mineira, cursou Humanidades e Medicina, doutorando-se na turma de 1922, na mesma turma do Dr. Juscelino Kubitscheck de Oliveira. Retornando a Queluz, passou a clinicar na antiga Santa Casa (atual Hospital Queluz), como assistente do Dr. Narciso de Queiroz, que veio a ser seu sogro, por haver contraído núpcias com dona Amélia Nogueira Queiroz. Trabalhou durante toda a sua vida naquele nosocômio, destacando-se na área de ginecologia. À frente da tradicional casa de saúde, empreendeu significativas melhorias naquele estabelecimento, atendendo a pacientes de toda a região.
Após os primeiros anos do governo provisório de Getúlio Vargas, retomada a estabilidade administrativa no país, Mário Pereira foi nomeado prefeito de Conselheiro Lafaiete, em setembro de 1934, empossado no dia 1º de outubro. Um acordo entre as lideranças políticas locais e o governador Benedicto Valladares possibilitou esse engajamento do jovem médico na lida administrativa.
De acordo com o historiador Jair Noronha, Doutor Mário Pereira, “modesto, despretensioso, tudo executou visando única e exclusivamente o bem estar coletivo”. Entre suas obras, destacam-se as construções dos prédios da Prefeitura, do Asilo Agrícola (onde funciona o Larmena), do Colégio Monsenhor Horta (edifício da escola estadual Narciso de Queirós) e a sede do Tiro de Guerra na rua Horácio de Queiroz, doando, ainda, terreno necessário à construção do estande para essa escola de instrução militar. Atento à formação da juventude, colaborou com a implantação do Colégio Monsenhor Horta, da Faculdade de Comércio e, antes, do Ginásio Queluziano, fundado pelo doutor Domingos de Souza Novais, ainda na década de 20.
Naqueles distantes anos 30, de estradas de rodagem muito precárias, sendo intensas as atividades da ferrovia, vislumbrou o progresso, adquiriu um terreno próximo ao distrito de Buarque de Macedo e doou-o ao governo federal, onde foi construído o Campo de Aviação de Lafaiete, para os aviões da rota Rio-Belo Horizonte, o atual Campo das Bandeirinhas. O desporto teve especial atenção do dinâmico prefeito, que estimulou os iniciantes clubes de vôlei e de basquete, além dos clubes de futebol, tendo idealizado e construído o estádio do Meridional Esporte Clube, que, aliás, recebeu o seu nome, e doado o terreno para o Guarany Esporte Clube construir o seu campo, no Alto da Vista Alegre.
Um moderno projeto de urbanização Doutor Mário empreendeu durante sua gestão como prefeito. Realizou o ajardinamento e calçamento das principais praças da cidade, abriu novas ruas, promovendo o desenvolvimento de novos bairros. Na praça Tiradentes, construiu a fonte luminosa, restaurada recentemente, e o abrigo de ônibus, além de artísticas calçadas, desde a Praça Barão de Queluz. Na Praça São Sebastião construiu o prédio denominado Quitandinha e dotou aquele espaço de outros atrativos para o lazer de crianças e adolescentes. Substituiu os antigos calçamentos por paralelepípedos em mais de uma dezena de logradouros e promoveu a abertura e manutenção de estradas na zona rural, interligando os distritos. Seu mandato como prefeito encerrou-se em 1945. Em 1959, foi eleito vereador pelo distrito de Cristiano Otoni. Disputou eleições para prefeito, em 1962, quando venceu o pleito Dr. Orlando Baeta Costa.
O cronista Gilberto Victorino de Souza, em sua vasta obra sobre personalidades lafaietenses, destaca que Doutor Mário foi “dotado de uma personalidade inconfundível, era sinceramente estimado por todos aqueles que sabiam compreendê-lo em todos os seus aspectos. (...) Era completamente avesso a exibições demagógicas e ao farisaísmo político, tão comuns em nossa época. (...) Dotado de boníssimo coração, são sem conta o número de pessoas, em nossa cidade, que por ele foram beneficiadas”. Doutor Mário Rodrigues Pereira faleceu no dia 10 de setembro de 1964.
sexta-feira, agosto 22, 2008
Em campanha
A campanha dos candidatos para as próximas eleições teve mais um impulso na última semana, com o início dos programas no rádio e na TV. Hoje não vemos mais os abusos cometidos em eleições passadas, com muros e postes forrados de propaganda, calçadas alcatifadas de cédulas, outdoors dominando todo o panorama da cidade, carros de som pelas ruas, durante todo o dia, com jingles apelativos e cansativos. Numa feliz hora, moralizou-se essa pressão psicológica a partir da pressão visual e auditiva.
Agora, os candidatos têm que se comportar direitinho, para conquistarem, com muita simpatia e educação, os votos necessários para a eleição. Tarefa árdua, porque ainda tem o quociente eleitoral adotado, dificultando ainda mais o sufrágio nas urnas. Pelas ruas, deparamo-nos com modestas placas, rigorosamente dentro das medidas permitidas pela lei, confeccionadas, muitas vezes, com esmero por empresas publicitárias, de acordo com a pecúnia disponível para gastar com a campanha. Sorridentes, fisionomia geralmente “tratada” em softwares especializados para tal, slogans criativos e chamativos estão estampados nas calçadas, discretamente, porém em pontos estratégicos, disputando a percepção dos transeuntes.
O mais interessante nisso tudo é a forma como se apresentam. Figuras bem vestidas, outras discretas, às vezes informais, a sisudez e a desenvoltura expressam, ora uma, ora outra, o perfil do candidato, isso quando confunde o eleitor, denotando falta de seriedade com o que se propõe. São os apelidos, desde os mais corriqueiros aos esdrúxulos. Assim, temos o Fulano da Padaria, o Sicrano do Açougue, o Beltrano da Gerarda (só para ilustrar); ingênuos, se não fossem as apelações sugerindo até desrespeito, não por si, mas com os eleitores, como se se tratasse de imbecis, pessoas pouco providas de discernimento, sendo quase preciso - como caçoam os jovens - desenhar para melhor compreender.
Salvo engano, em Lafaiete não lançaram mão de alcunhas depreciativas ou ofensivas para se apresentarem à população; mesmo assim, ainda são muitos. É de se preocupar quando esses apelidos, engraçados ou pouco polidos, enquanto se destacam pela comicidade, aludem o oportunismo, associando a pessoa ao segmento em que está inserido. O eleitor que não procura conhecer melhor o seu candidato, muito menos saber o seu nome correto, o que se espera dele? Não poderá nunca reclamar alguma cousa, pois será recebido, quiçá ouvido, com tão pouca importância, quanto a que dispensou ao processo democrático da eleição dos candidatos ao cargo público.
sexta-feira, agosto 15, 2008
Sobre a família
Este ano, ecoa-se ainda o tema da Campanha da Fraternidade – “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19), como opção primordial para que se preserve de todas as formas da corrupção aquela que, há muito, é considerada célula mater da sociedade. Nesse escrínio, devem-se conservar e fomentar os valores necessários para a consolidação de uma sociedade justa, dentro dos princípios cristãos.
Todavia, uma batalha constante temos presenciado em detrimento da família; o pior, uma batalha legal. Sim, isso acontece a partir do momento em que se buscam de todas as formas legalizar o aborto, possibilitar a dissolução da instituição familiar e agilizar o processo jurídico, usá-la como “peça” para usurpação de uma vúlnera social lamentável, a miséria; relativizar os conceitos basilares de sua formação, incentivando a liberdade espúria que agride a natureza e a ordem das cousas.
Ao contrário do que se pode deduzir, as pessoas se permitem, nesse processo, serem aprisionadas pela satisfação pessoal, pelo hedonismo hodierno, negando a liberdade e a dignidade individual. Nas palavras do papa João Paulo II, isso produz “efeitos destruidores na vida familiar, comunidade anterior e fundamental à sociedade e ao Estado; por outro lado, a destruição da natureza e da missão da família provoca a destruição da própria sociedade, pois a família é a única instituição capaz de promover os valores que permitem a harmonia e coesão sociais” (cf. 5ª Assembléia Gerald o Sínodo dos Bispos, 1980).
“Escolhe, pois, a vida” é a opção que, desde as Sagradas Escrituras, a Igreja no Brasil propõe às famílias. Essa escolha deve se efetivar com o comprometimento do trabalho missionário de cada um. O campo é vasto no seio das famílias: casais desestruturados, filhos rebeldes, grupos assanhados em corromper a disciplina pessoal e a ordem social, pelo modismo e por seduções intelectuais. Cabe, pois, a cada cristão, corresponder ao chamado divino e se entregar, sem temor, à sua missão a partir dessa “igreja doméstica”, parte do tecido eclesial com suas funções inalienáveis.
sexta-feira, agosto 08, 2008
Discurso convincente
Começou a corrida eleitoral e já se pode ver a repetição dos mesmos erros, pelo menos no discurso. Depois, quando se abrem as urnas e o resultado surpreende “até o mais indiferente” – como costuma citar o Frei Tibúrcio – como a frágil vítima de um adultério entregam-se ao questionamento: “onde foi que eu errei?” Muito simples. Basta ouvir, atentamente, com frieza, racionalmente, os discursos inflamados proferidos durante a campanha e logo se encontram os motivos pelos quais não conquistaram a simpatia e, muito menos, a confiança dos eleitores.
Em Conselheiro Lafaiete começaram já os pronunciamentos dos candidatos. O Jornal CORREIO, além de apoiar a iniciativa do Sindicato do Comércio varejista de sabatiná-los, está publicando, há duas semanas, uma série de entrevistas com todos os “prefeitáveis”, abordando um determinado tema a cada edição. Na primeira semana foi sobre a expansão industrial da região e os reflexos no municípios e, esta semana, acerca da situação da saúde. Neste pouco tempo conseguimos perceber os projetos de cada um, ou seja, nada tem de convincente.
Indistintamente, alguns caem no equívoco de ficar apenas apontando erros alheios, sem apresentar uma proposta que possa suprir as carências que atingem diretamente a população. Outros, talvez por ingenuidade, imaginam seus eleitores mais simplórios ainda para assimilarem – para não dizer acreditarem – nas suas propostas de governo. Depois, ele ainda insiste em acreditar que foi traído pelos amigos, pelos correligionários, pelos seus eleitores; nunca que o fracasso foi o seu discurso, ora fraco e sem sentido, ora virulento e assustador.
A proposta deve ser necessária, exeqüível e beneficente à população e ao município. O que as pessoas querem ouvir? É a certeza de um ordenamento orçamentário que possibilite mais o desenvolvimento de Conselheiro Lafaiete; é uma política que viabilize uma segura expansão industrial, não apenas rebarbas de um proveito que acaba se transformando num caos social para os lafaietenses, com o aumento do custo de vida e de todo tipo de desordem social; a saúde não quer apenas mais profissionais para atender a população, mas estrutura-física condizente (e o Hospital Regional?); na educação, não basta apenas garantir vagas para crianças e jovens nas salas de aula, necessita-se de qualidade de ensino, professores bem qualificados e atualizados; a segurança pública tem uma parcela de responsabilidade que cabe ao município, não só aos órgãos competentes do Estado.
Quem quiser ganhar as eleições, deverá estar em sintonia com o que o eleitor quer ouvir e fale de forma seja compreendido. O erro de muitos é julgar-se onipotente em sua fala; aliás, Claude Pepper, político norte-americano, dizia que “o erro de muitos políticos é esquecer que foram eleitos; ficam achando que foram ungidos”.
domingo, agosto 03, 2008
Bernardo Guimarães em Queluz
Bernardo Guimarães, de acordo com seus biógrafos, teria chegado em Queluz em 1873, para reger as cadeiras de Latim e Francês; alguns deles chegaram a afirmar que fora nomeado ara o Liceu de Queluz. Observa-se, entretanto, que nessa época não havia nenhuma escola de curso ginasial na cidade, senão as escolas primárias “uma para meninos e outra para meninas”. Poderia supor-se que residia em Queluz e lecionava no renomado Colégio Matosinhos,
Daí poderia ser porque fora nomeado Juiz Municipal para este termo – uma outra informação de um de seus biógrafos. No entanto, até o momento, não foi encontrada uma prova documental, não obstante ficar-me a impressão de ter visto sentença sua assinada em processos dessa época, no Cartório de Órfãos, podendo ter-me incorrido em equívoco.
Em Queluz, Bernardo Guimarães residiu em uma casa que existia na antiga rua dos Barrancos, no trecho hoje denominado rua Desembargador Dayrell de Lima, onde posteriormente funcionou o Colégio Monsenhor Horta. Essa casa foi residência do padre Cândido Tadeu Pereira Brandão, que foi vigário colado da freguesia de Nossa Senhora da Conceição entre julho de
Durante os anos que residiu em Queluz, até por volta de 1877, aqui nasceram os filhos de Bernardo Guimarães, Isabel, em 1873, e o poeta Afonso da Silva Guimarães, que pertenceu à Academia Mineira de Letras, falecido em 1955. Nesse período, também, foram editadas duas de suas poesias mais conhecidas e consideradas pornográficas, embora não sejam de seu período bestialógico, “O Elixir do Pajé” e “A Origem do Mênstruo”, publicadas clandestinamente em 1875. O seu célebre romance “A Captiva Isaura” (conhecido hoje como “A Escrava Isaura”), também é dessa época, conforme consta de um contrato com a Editora Garnier, cujo original se encontra, hoje, na Editora Itatiaia, de Belo Horizonte, que adquiriu os direitos daquela. Todavia, isso não prova que o romance teria sido escrito aqui, muito menos se inspirado numa realidade específica de alguma família queluzense, até mesmo porque existe a tradição na família de que ele teria escrito o livro quando passava temporada na fazenda da família,
O motivo pelo qual veio parar em Queluz talvez tenha sido influência do conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira, com quem trabalhara no Rio de Janeiro, no jornal “Actualidade”. Lafayette, mesmo distante de sua terra natal, sempre ingeria-se na política local, por meio de seu pai, o Barão de Pouso Alegre, e de seu irmão Washington Rodrigues Pereira. A afinidade que tinha com Bernardo Guimarães também se comprova por um bilhete que lhe escreveu pedindo sua opinião sobre um soneto que escrevera:
“Meu caro Bernardo Guimarães,
É este o soneto de que te fallei. Conheces a história. A minha bella noiva perdeu a razão há quatro annos. E eu não sei como diante de tão rude golpe ainda conservo a minha. Pobre moça! Eu me sinto capaz de todos os sacrifícios por ella.
O nosso Flávio, que sujeita tudo à razão fria, acha que eu sou um desequilibrado, Mas tu, que és poeta, não pensas assim.
Teu do c. [coração]
Lafayette
Rio, 28 de março de
A noiva a que se refere Lafayette talvez seja uma de quem comentara com seu irmão Washington numa carta, quando era presidente da Província do Ceará. Flávio Farnese foi companheiro de ambos também no jornal “Actualidade”. O soneto é o seguinte:
“Consagrei-te no alvorecer da vida
O que tinha em meu ser de puro e santo
- ilusões, a alegria, a dor, o pranto,
A esperança de etérea cor tingida.
A voz tua ressoava sentida
Aos meus ouvidos, como ignoto canto;
Tua fronte vertia estranho encanto
De sombras e de mistérios cingida.
Mas a luz que te iluminava a mente
Apagou-a o Aquilão da adversidade
E deixou-me, de mim, de Deus descrente.
Amei outras. Ó, fora uma impiedade!
Pálida, semimorta, inconsciente,
Foste sempre e és a minha divindade!”
O período

segunda-feira, julho 28, 2008
Em ano de eleições
Mas a população se vê quase que induzida a se permitir um juízo temerário sobre este tema. Pois veja: para ser admitido em qualquer emprego público, por mais simples que seja, exige-se uma ficha criminal tão impoluta quanto os processos de canonização da Igreja, sem falar na exigência de escolaridade cada vez mais enriquecida de cursos, especializações, graduações, pós-graduações, mestrados etc. Todavia, para se candidatar a um cargo público (político), nem tanto. Temos observado a Justiça Eleitoral minuciosa na análise dos processos de candidatura. Entretanto, o tradicional “jeitinho brasileiro” acaba dando uma concessão no item x, do parágrafo tal, de um determinado artigo de uma lei que foi criada, possivelmente, para facilitar os trâmites daqueles que ainda não conseguiram sublimar seus mais sórdidos instintos.
Por isso, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão empenhadas, já com o apoio de diversas outras instituições, para uma reforma política no país. As propostas são para alterações a partir do sistema eleitoral, onde a influência dos famigerados lobistas, atiçando a ânsia de poder e de influência de alguns políticos. Ao se propor uma mobilização popular, essas instituições querem fazer valer os princípios democráticos da República e o envolvimento de todos os brasileiros, conscientes de suas reivindicações, em prol do respeito à cidadania, desestruturação de uma representatividade meramente elitista e a consolidações de uma ampla conscientização sobre o papel de cada um no todo.
sexta-feira, julho 18, 2008
Pesadelo chinês
Nos últimos dias, o noticiário da TV falava sobre a situação ambiental da China, às vésperas das Olimpíadas que, este ano, acontecem em Pequim. O governo daquele país não teria cumprido o que prometera ao Comitê Olímpico, para que o evento lá se realizasse. E só agora a imprensa mundial começa a atentar-se para a real situação daquela Nação, principalmente a partir do momento em que começam a sentir tolhida sua liberdade e a observar que os veículos de comunicação chineses sofrem com a censura.
Interessante que, tanto o Comitê Olímpico, quanto os países que participarão das Olimpíadas, parecem desconhecer que a China é um país que padece sob o regime comunista, com todas as suas atrocidades. Será possível que o pranto silente dos oprimidos na China não se faz ouvir cá no Ocidente? O poderio bélico é uma ameaça, sim, mas deve existir um meio, desde a Organização das Nações Unidas, para desestruturar essa ilusória potência que se mantém à força de prisões, expropriações e corrupção.
Com a facilidade de comunicação e veiculação de notícias por meio da internete, foi elaborado um blog, entre muitos outros, que chama a atenção dos leitores para as atrocidades cometidas naquele país. É o http://pesadelochines.blogspot.com que deveria ser consultado por todos que têm acesso à web. Nele encontram-se relatos do cotidiano político e social da China, onde o pensamento, o comportamento e a religião são controlados de tal forma que a população se torna cativa de um sistema que lhes priva de liberdade, tornando as pessoas meras peças numa composição social que busca, tão somente, o produzir.
Antagonicamente, a China é, hoje, um país onde só a população sofre a opressão comunista e o Estado se beneficia da força econômica que o mantém. Embora algumas medidas tornaram-se necessárias nos últimos anos, para “distrair” os outros países, como a abolição do culto às personalidades e os governos vitalícios, a China está longe de ser um país democrático, como essas pequenas mudanças procuram sugerir.
Enquanto a China é lembrada, na maioria das vezes, no Ocidente, pela sua cultura milenar e como guardiã de uma rica filosofia, ficam os chineses a sofrer naquele imenso campo de concentração comunista, sem poder pensar, sem poder professar sua fé, sem poder viver. É para lá que as atenções estarão voltadas nos últimos dias...
quarta-feira, julho 09, 2008
O Ano Paulino
A presença dos prelados e sacerdotes ortodoxos junto na Igreja Romana, desde o Concílio Ecumênico Vaticano II, a cada dia marcam mais e mais a reaproximação de um distanciamento que marcou os primórdios do Cristianismo, em meados do primeiro milênio. O momento em que a comemoração jubilar do Apóstolo Paulo move toda a cristandade, quis o Santo Padre que a ela se unissem esses filhos diletos, depósitos da fé primitiva, guardiões de uma cultura religiosa milenar, vislumbrando a conquista de novos campos de diálogo, a superação das diferenças que os divide e, quiçá, ainda que num porvir distante, uma definitiva união daquela Igreja em que a figura de Paulo é tão expressiva, haja visto sua atuação, principalmente, como bispo em Jerusalém, Antioquia, Chipre e Grécia.
“Este homem deve levar meu nome aos gentios, aos reis e aos filhos de Israel” – esta foi a determinação divina a Ananias. E hoje, num mundo hedonista em que as pessoas se cedem ao pragmatismo e os valores se confundem no relativismo, as Cartas Paulinas instruem sobre a disposição para seguir o Cristo. “O chamado a ser o mestre dos povos é ao mesmo tempo e intrinsecamente um chamado ao sofrimento na comunhão com Cristo, que nos redimiu mediante sua Paixão. Em um mundo no qual a mentira é potente, a verdade se paga com o sofrimento”, destacou o Santo Padre em sua homilia, indicando que o sofrimento do Apóstolo “o torna confiável como mestre de verdade, que não busca seu próprio proveito, a própria glória, o prazer pessoal, mas se empenha por Aquele que nos amou e se entregou por todos nós”. É esta a nossa missão.
sábado, junho 28, 2008
Deus guarde o Papa

Ao longo de toda a história da Igreja, encontraremos sempre esse episódio de desprendimento; alguns perseverando até a morte; outros, tíbios, não correspondendo sempre à graça ou até se desertando das fileiras sagradas. Mas todos aqueles que foram revestidos do Ministério Petrino o foram pela graça de Deus; até mesmo nas mais diferentes e complicadas situações, nos momentos politicamente críticos, em que se confundiam os princípios e se deturpavam valores, o Espírito Santo agiu, de forma que as tempestades que ameaçavam a Barca de Pedro se abrandaram, alcançando a nau, novamente, águas tranqüilas.
Assim, confirma-se que Cristo é a Cabeça do Corpo Místico, que é a Igreja, de maneira absolutamente única. De maneira invisível governa-o por si mesmo e diretamente iluminando os corações, fortalecendo as vontades, infundindo nas almas a graça santificante, livrando a sua Esposa Imaculada dos perigos mortais, guiando-a no caminho da eterna bem-aventurança. De maneira visível, governa-a ainda indiretamente, por meio daquele que faz as suas vezes na terra.
O Papa, longe de usurpar o lugar de Cristo, está-lhe subordinado em tudo e por tudo. Tem por ofício conservar o Corpo unido à divina Cabeça. O título de “Vigário” mostra sobejamente sua dependência total para com Cristo. E aos gestos do Sumo Pontífice se unem os de uma miríade de santos e mártires que pelejaram em torno da cátedra de Pedro e de um tanto outro sem número que ainda combate rumo à Jerusalém celeste. Ao longo de dois mil anos, desapareceram impérios, mudaram as civilizações, mas o Rochedo plantado na colina Vaticana, na Cidade Eterna, permanece inabalável, imperecível, até o final dos tempos, guiado por aquele que, nas palavras de Santa Catarina de Sena, é o “Doce Cristo na Terra”. Por isso, ao reverenciar o Santo Padre, pedimos que “o Senhor o conserve e vivifique e o faça feliz na terra e não o abandone nas mãos dos seus inimigos”.
Deus guarde o Papa!
quinta-feira, junho 12, 2008
Quo usque tandem?
Era o ano
“Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? - Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?
Ó tempos, ó costumes! (...) Que há, pois, ó Catilina, que ainda agora possas esperar, se nem a noite com suas trevas pode manter ocultos os teus criminosos conluios, nem uma casa particular pode conter, com suas paredes, os segredos da tua conspiração, se tudo vem à luz do dia, se tudo irrompe em público? É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia... (...)
Sendo assim, prossegue, Catilina, o caminho encetado; sai da cidade de uma vez para sempre; as portas estão abertas; põe-te a caminho. Há muito que te reclamam como general supremo esses teus acampamentos manlianos. Leva também contigo todos os teus; se não todos, pelo menos o maior número possível. Limpa a cidade. (...) Grande deverá ser o nosso reconhecimento para com os deuses imortais, particularmente para com o próprio Júpiter Estator aqui presente, o mais antigo protetor desta cidade, por tantas vezes termos escapado a esta peste tão abominável, tão horrorosa e tão hostil à República. Nunca mais a suprema segurança do Estado deve ser posta em perigo por causa de um homem apenas. (...)
Mas de que servem as minhas palavras? A ti, como pode alguma coisa fazer-te dobrar? Tu, como poderás algum dia corrigir-te? Tu, como tentarás planear alguma fuga? Tu, como podes pensar nalgum exílio? Oxalá os deuses imortais te inspirassem tal propósito, muito embora eu veja que, se tu, apavorado com as minhas palavras, te decidires a partir para o exílio, uma enorme tempestade de ódios ameaça desabar sobre nós, se não no tempo presente, por causa da fresca lembrança...”
Ó tempora, ó mores!